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domingo, 10 de abril de 2016

Assembleia da República aprova projeto para resolver problemas dos pescadores de Apúlia



Fonte: Esposende24

Assembleia da República aprova projeto para resolver problemas dos pescadores de Apúlia com o PSD a não votar favoravelmente

PCP fez aprovar na Assembleia da República, ontem em Lisboa, o projeto de resolução que recomenda ao Governo a resolução dos problemas e constrangimentos existentes e que promova a defesa e valorização da comunidade piscatória de Apúlia. O PSD, que na teoria mostrou “alguma preocupação” pela voz do presidente, e social democrata, Benjamim Pereira, não votou favoravelmente as propostas.

A proposta que o PCP apresentou, no seguimento de diversos contactos que manteve com pescadores daquela comunidade e com a Associação de Pescadores profissionais de Esposende, visa medidas necessárias para garantir a melhoria das condições de acesso às praias utilizadas pelos três núcleos de pescadores de Apúlia.

“Uma vez que os acessos às praias estão visivelmente degradados, com poucas intervenções de melhoramento e na maior parte do ano interditos devido à falta de segurança. Para além disso, para poderem ir ao mar e para se deslocarem entre as praias, necessitam da utilização de um trator tendo que suportar todos os custos associados à sua utilização e manutenção”, afirma Carla Cruz, deputado do PCP eleita por Braga.

Por outro lado, comunidade da Apúlia não tem infraestruturas, nem está preparada para encaminhar o pescado para a lota que se localiza em Esposende, sede do concelho, nem tão pouco a Barra de Esposende lhes oferece as devidas condições de segurança para o poderem transportar por mar, pelo que têm que comercializar o peixe na Apúlia, pelo que é necessário que, enquanto não forem concretizadas as intervenções no acesso às praias e construção de infraestruturas de comercialização de pescado seja implementada uma solução transitória a exemplo do que já sucede com a frota local do rio Minho.

Com estas propostas, o PCP responde a dois problemas muito sentidos dos pescadores daquela zona piscatória.

“Cabe agora ao Governo assegurar a concretização destes dois objetivos”, frisa a deputada comunista, acrescentando que “não pode deixar de assinalar que o PSD, que no concelho de Esposende, pela voz do presidente da câmara veio fazer alarde do seu apoio às aspirações dos pescadores, agora na Assembleia da República, não votou favoravelmente as propostas do PCP”.

Fonte: Esposende24

sexta-feira, 18 de março de 2016

PCP recomenda ao Governo resolução dos problemas e constrangimentos existentes e que promova a defesa e valorização da comunidade piscatória de Apúlia

Fonte: Esposende Serviços TV

O concelho de Esposende, distrito de Braga, é detentor de duas comunidades piscatórias: a comunidade piscatória de Esposende e de Apúlia. Ambas as comunidades deparam-se há muito anos com enormes dificuldades, desde logo limitações à atividade da pesca artesanal pela falta da barra em Esposende ganhando as questões de segurança uma preponderância maior. Pese embora estes problemas serem do conhecimento dos sucessivos governos não
têm sido tomadas medidas concretas para os resolver, pelo que se tem assistido à diminuição
significativa do número de pescadores em ambas as comunidades.

A comunidade piscatória de Apúlia é, de acordo com as informações fornecidas pela Associação de Pescadores Profissionais do Concelho de Esposende, “um núcleo populacional muito individualizado formado essencialmente por famílias dependentes do dinamismo gerado pela pesca, alimentada pela tradição de ir ao mar e pelo amor que revelam pelo “seu mar”, representando a nível local uma elevada importância social, económica e mesmo cultural”. Esta comunidade é formada por três núcleos piscatórios que distam entre si em cerca de 400 metros: os pescadores da praia das Pedrinhas, da praia de Cedovém e da praia da Couve. No total dos três núcleos existem vinte e três embarcações ativas na pesca assim distribuídas: três embarcações na praia das Pedrinhas; nove embarcações na praia de Cedovém e onze embarcações na praia da Couve.
Os acessos às praias estão visivelmente degradados, com poucas intervenções de melhoramento e na maior parte do ano interditos devido à falta de segurança. Para além disso, para poderem ir ao mar e para se deslocarem entre as praias, necessitam da utilização de um trator tendo que suportar todos os custos associados à sua utilização e manutenção.
A Associação dos pescadores refere que, ao longo dos anos, têm ocorrido vários acidentes provocando estragos nas embarcações mas nunca foram realizadas intervenções que correspondessem à real necessidade desta comunidade.
Apesar de todas as vicissitudes sentidas estes profissionais continuam a usar a Pequena Pesca como ferramenta para a obtenção do sustento familiar básico, por forma também a cumprirem com as suas obrigações.
A comunidade da Apúlia não tem infraestruturas, nem está preparada para encaminhar o pescado para a lota que se localiza em Esposende, sede do concelho, nem tão pouco a Barra de Esposende lhes oferece as devidas condições de segurança para o poderem transportar por mar.
Na decorrência desta vicissitude, o registo do pescado é feito em dois locais, o posto de vendagem de Esposende e um posto fictício já existente em Apúlia. Segundo as informações fornecidas, quinze embarcações registam em Esposende e sete embarcações registam no posto fictício de Apúlia.
No posto de vendagem de Esposende o registo da primeira venda do pescado é feito sempre que os pescadores de Apúlia vão ao mar, através da indicação dos próprios pescadores do peixe e das quantidades que capturam. Para a Unidade de Controle Costeiro, este tipo de registo não é válido, por não ser feito in loco, estando os pescadores sujeitos à aplicação de coimas se forem abordados pelos agentes.
Em face desta situação, a Associação de Pescadores Profissionais do Concelho de Esposende, dando expressão às preocupações dos pescadores de Apúlia alerta para a necessidade urgente de se criarem as devidas condições para que a comercialização do pescado capturado na comunidade piscatória de Apúlia se possa legalizar definitivamente.
Para a Docapesca, Portos e Lotas SA, entidade que tutela o registo da 1.ª venda do pescado, a solução passa pela criação de um espaço físico numa das praias da comunidade de Apúlia, onde através da colocação de uma balança e de um computador, seja feita a pesagem e o registo de todo o peixe capturado nas três praias, sob um controle apertado da Unidade de Controle Costeiro. Porém, não basta colocar um ponto de pesagem e registo de peixe, numa das praias e não auscultar o que os pescadores pensam. Esta atitude ao invés de motivar a comunidade para a regularização da venda incentiva a rejeição e a hostilização destas práticas, pelo que se impõe uma mudança de atitude perante estas comunidades. É imperioso que seja envolvida a comunidade na resolução dos problemas.
A resolução dos problemas com que a comunidade piscatória de Apúlia está confrontada passa indubitavelmente pela criação de condições de acesso às praias e de uma infraestrutura que possibilite a pesagem e a comercialização do pescado numa das praias dos núcleos, porém, enquanto estas medidas não forem concretizadas deve ser avaliada a possibilidade de criar, à semelhança do que sucede com a comunidade piscatória de Caminha, um regime especial que
autorize a venda do pescado fora da lota.

Note-se que se trata de pequenas comunidades, que praticam uma atividade de subsistência, indispensável para a sobrevivência daquelas famílias, mas também de hábitos, tradições e mesmo de núcleos populacionais.
Nestes termos, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do PCP apresenta o seguinte Projeto de Resolução Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que:
1. Adote as medidas necessárias para garantir a melhoria das condições de acesso às praias utilizadas pelos três núcleos de pescadores de Apúlia.
2. Enquanto não forem concretizadas as intervenções no acesso às praias e construção das infraestruturas de comercialização e pesagem do peixe, seja, à semelhança do que sucede com a frota local do Rio Minho, autorizada a venda do pescado fora da lota.

Assembleia da República, 16 de março de 2016
Os Deputados,
CARLA CRUZ; JOÃO RAMOS; JOÃO OLIVEIRA; ANTÓNIO FILIPE; JORGE MACHADO; DIANA
FERREIRA; RITA RATO; PAULO SÁ; JERÓNIMO DE SOUSA; MIGUEL TIAGO; PAULA SANTOS;
FRANCISCO LOPES; BRUNO DIAS; ANA VIRGÍNIA PEREIRA; ANA MESQUITA