Mostrar mensagens com a etiqueta sargaço. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sargaço. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Documentário: A praia do sargaço e do pilado 1938

Descrição: A praia do sargaço e do pilado (caranguejo). Colheita do sargaço. A faina do pilado. F. Carneiro Mendes (1893-1976) - Realizador
F. Carneiro Mendes (1893-1976) - Director de fotografia
Portugal, 1938
Género: Documentário


terça-feira, 12 de abril de 2016

Apúlia: O paraíso do povo...

26/08/2012, in Correio do Minho



Os encantos da praia da Apúlia estão, na sua totalidade, por explicar. As suas águas, dizem os antigos, têm muito iodo e fazem bem à saúde. O peixe é fresco e chama a multidão logo nas primeiras horas do dia. A fila de trânsito chega a sair da freguesia e lugares para estacionar, em pleno mês de Agosto, valem ouro. Há diversões, esplanadas em fartura, e as geleiras fazem cada vez mais companhia aos veraneantes. As colónias de férias - Segurança Social e JoãoPauloII -, trazem muita alegria à praia. É carinhosamente tratada por Apulinésia, numa comparação às ilhas do Oceano Pacífico, que são cabeça-de-cartaz nos sonhos dos destinos turísticos...
Ver o barcos a chegar é uma alegria das primeiras horas da manhã. São 9.15 horas. O mestre Júlio Casais chega, na compa-nhia de Fábio Cunha, e a multidão enclina-se para o barco. Polvos grandes e pequenos, algumas fanecas, são o espólio de mais uma ida ao mar que co-meçou às 5 horas. “Correu mais ou menos”, diz o mestre do ‘Anjo da guarda nos guia’, acrescentando que este Agosto “até tem corrido bem”. O polvo vai de 5 a 8 euros, dependendo do tama-nho. “É a preço de hipermercado” diz uma veraneante, “mas este foi pescado agora”, respondem-lhe da multidão. Júlio Casais refere que a pesca “vai dando para viver”, mas as contas “são feitas ao dia”. “Até porque, agora, praticamente todos os dias o preço do combustível sobe. Uma viagem de quatro horas, com a ajuda do GPS, custa cerca de 25 euros de combustível”, acrescenta.
Veio o ‘Alegre’ e trouxe sardinas e carapaus. Quanto é? “São 2,5 euros” responde Dona Laida. 
Ao lado está Maria Casais, irmã do mestre do ‘Anjo da guarda nos guia’. Trabalhou “em flores e em cafés”, mas ficou desempregada “há dois anos”. “O meu irmão deu-me a mão. Tive um casamento difícil e para pagar as contas e dois filhos a estudar tive que abraçar esta profissão”. “Não me importo, até por- que é honesta”, acrescenta ainda.
Agora chega o ‘Sra. dos Aflitos’ e o sarrão começa a chamar logo à atenção. Vermelho, ao lado das cavalas e das viúvas. Orobalo da banca ao lado, esbelto e a 15 euros o quilo, passa para segundo plano. Maria, de 5 anos, fica encantada com dois “bichos”. “O que é, mãe? Um lavagante e uma navalheira”, res-ponde. Os olhos da pequena Maria brilham perante 180 gramas de marisco... mas para quem esteve quatro horas no mar apenas os dois na rede significam tristeza. “Não tem saído maris-co. Só há nos meses com a letra R”, refere Paula Pinheiro. “Não. Nos meses com R é que ele é bom, mas há todos os meses se o mar der, avisa a vendedora.

Deixa-se a pequena lota da Apúlia rumando à Praia da Colónia da Segurança Social. A música e as diversões anunciam desde logo a romaria. A praia está lotada, a maré está baixa e o banheiro Secundino não pára. Trabalha intensamente “quatro meses por ano a vender no bar da praia e a alugar as barracas. Quanto custam? “Sete euros por dia, 45 euros por quinze dias”. E as vendas? “Setenta por quinzena”. Filho do antigo banheiro do Castelo está no negócio “há quarenta anos”. “Tenho 53 e desde que me lembro só fiz isto e nesta maravilhosa Apúlia”.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Recortes - O sargaço da Apúlia (SOL)

Fonte: Sol Online- Opinião

O sargaço da Apúlia

22/07/2014 15:50
 
Quando em 1140 D. Afonso Henriques deu o couto da vila medieval de Menendi aos monges beneditinos do Mosteiro de Tibães, não imaginava que estava a abrir caminho para uma das mais geniais invenções humanas.
A apanha do sargaço na Apúlia decorre de uma invenção genial na agricultura
Efectivamente, na faixa arenosa de 2 km de largura que se estende pela costa da Apúlia, os beneditinos viriam a criar uma forma de agricultura única no mundo e singularmente produtiva: os campos masseira. 

Sabe-se hoje que essa vila de Menendi sucedera à Villa Menendiz, um povoado situado a sul da presente povoação da Apúlia, no actual sítio da Ramalha (objeto de escavações arqueológicas nos anos 50 do século XX), que terá sido a mais importante localidade da costa de Esposende na época romana. 

Abandonada quando das invasões bárbaras, devido à insegurança que grassava no litoral – com sucessivos saques e pilhagens vindos do mar a obrigarem a população a refugiar-se um pouco mais para o interior –, a Villa Menendiz acabou soterrada pelas areias costeiras. 

E assim, com o advento do reino de Portugal, era já a vila de Menendi que existia e foram as suas terras, que abarcavam o que é hoje grande parte das freguesias de Apúlia, Estela e Necessidades, que constituíram a coutada doada aos beneditinos de Tibães. E estes, para conseguirem agricultar essa faixa de terreno arenoso e improdutivo, batida insistentemente pelas nortadas, acabaram por inventar no século XVIII as ‘masseiras’ ou ‘campos masseira’: umas covas largas, rectangulares ou quadradas, com aproximadamente 3 metros de profundidade.

Essas covas protegiam as culturas do vento, e os seus fundos ficavam próximos do nível freático – sendo depois divididos em talhões, para acolherem as diferentes culturas agrícolas. A areia retirada para abrir os buracos era acumulada nas bordas, em taludes denominados ‘valos’, em cujos cantos eram cultivadas vinhas (que seguravam as areias e reforçavam a protecção aos ventos). 

Estas covas assim trabalhadas funcionavam como estufas de elevada fertilidade, optimizada pelo adubo utilizado e pela abundante presença de água. A adubação, feita à base de sargaço ou algas marinhas, era outro dos segredos para a produtividade alcançada – pois o sargaço não só aumentava a resistência das culturas às doenças e parasitas como favorecia a sua precocidade e abundância. 

O caso é que, ao entrarem em decomposição, as algas elevavam a temperatura da fermentação aeróbica e aceleravam a biodegradação de folhas e estrumes, melhorando os solos ácidos e tornando férteis as áreas arenosas e improdutivas. 

Daí decorre o desenvolvimento da característica actividade da apanha do sargaço que a Apúlia protagonizou, a ponto de o sargaceiro se ter transformado na principal imagem da povoação. 
Infelizmente, com a venda das areias dos taludes à construção civil, esta tão singular forma de agricultura está em perigo desde os anos 90 do século passado, sendo hoje raras as masseiras que mantêm a sua integralidade…